O bispo do Algarve teve no passado dia 27 de setembro um primeiro encontro com os consagrados da diocese.
Embora também estivesse presente o padre Tiago Pereira, presidente Secretariado Regional do Algarve da Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal (CIRP), pertencente à comunidade de Vila Real de Santo António da congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (dehonianos), a iniciativa serviu essencialmente para D. Vitorino Soares conhecer as irmãs ou consagradas, pertencentes a institutos ou congregações religiosas femininas, que trabalham no Algarve.
O encontro, que incluiu a oração de vésperas, teve lugar no mosteiro carmelita de Nossa Senhora Rainha do Mundo, no Patacão (concelho de Faro), que acolhe a comunidade algarvia de clausura das irmãs Carmelitas Descalças.
O padre Tiago Pereira lembrou que a diocese conta também com a colaboração de institutos religiosos masculinos, nomeadamente os dehonianos, os espiritanos, os franciscanos e os jesuítas. Entre os institutos e congregações femininos presentes no Algarve, referiu ainda as irmãs da Congregação da Divina Providência e Sagrada Família e as irmãs do Instituto Missionário Filhas de São Paulo (paulinas).
Ao falar da vocação, D. Vitorino Soares evocou a resposta ao chamamento de Deus e a importância de regressar às origens da própria caminhada. “Alguém pensou em nós, alguém sonhou connosco, alguém acreditou em nós, apesar da nossa humanidade. E nós tivemos esta humildade também de lhe responder”, afirmou, lembrando que a vocação não é “um trabalho de conta própria”, mas envolve também aqueles que apresentam e acompanham cada pessoa no seu caminho.

O bispo do Algarve sublinhou a importância de regressar “à primeira hora, ao primeiro chamamento” e de avivar “aquela primeira palavra de entusiasmo”, recordando “a nossa fonte, o nosso início, o nosso ponto de partida”. “Aquele que nos chama, Aquele que nos quer e que continua a apostar em nós. Confiamos que Aquele que nos chama não falha, não abandona”, declarou.
D. Vitorino associou esta experiência à pastoral vocacional, defendendo que quem se sente amado e escolhido está numa posição privilegiada para amar e escolher. “Sentir-se amado, sentir-se escolhido passa pela experiência de vida que cada um traz”, afirmou.
Nesse sentido, apelou às consagradas para que não se escondam nem se afastem, mas deem a conhecer a sua vida e a sua missão: “Quanto mais nos escondermos, menos o mundo nos conhecerá. Quanto mais nos afastarmos, menos possibilidades temos de alguém poder seguir os nossos passos. Não por nós, mas por Aquele que também nos escolheu.”

O bispo diocesano acrescentou que a pastoral vocacional passa também pela capacidade de falar com verdade sobre a própria experiência, incluindo “as misérias” e “os fracassos”, sem se fechar nem fugir. “Não precisamos de procurar as oportunidades. Deus coloca oportunidades no nosso caminho”, afirmou.
Por fim, D. Vitorino descreveu o atual período de diminuição das vocações e de encerramento de comunidades religiosas como um “tempo de trevas”, de “solidão” e de “noite”. Ainda assim, manifestou confiança de que “depois da noite vem o dia”. “É nisso que confiamos: que Deus não nos abandona, que Deus vai acompanhar-nos de outras formas, que não são aquelas que sonhámos e idealizámos, mas que sejam aquelas que o Senhor também quer para esta Diocese do Algarve”, concluiu.
O encontro foi encerrado com um lanche-convívio.